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Tradição das casas de farinha recebe apoio do Floresta+ Amazônia em quilombos no Maranhão

Por trás das iniciativas apoiadas pelo Projeto Floresta+ Amazônia estão histórias de tradições seculares muitas vezes desconhecidas do resto do Brasil. É o caso da reforma de casas de farinha em comunidades quilombolas no município maranhense de Anajatuba, distante cerca de 140 km de São Luís e banhado pelo Rio Mearim. Ao fortalecer o vínculo dessas famílias com suas raízes, a parceria trouxe dignidade, esperança, trabalho e renda.
No âmbito da Modalidade Comunidades, em parceria com o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), o Floresta+ apoiou a União das Associações Quilombolas das Comunidades Remanescentes de Quilombos (Uniquituba) na reforma de duas agroindústrias nos quilombos Quebra (que abrange ainda as comunidades de Capim e Bom Jardim) e Pedrinhas.
Ao todo, 70 famílias foram contempladas, sendo 40 em Quebra e 30 em Pedrinhas. Cada casa de farinhas tem capacidade para produzir 400 kg diários, o que vai gerar uma produção mensal de 8.800 Kg.

A reforma foi acompanhada pela Vigilância Sanitária do Maranhão e recebeu o alvará de funcionamento seguindo todos os trâmites burocráticos e de higiene, dotando as agroindústrias de equipamentos adequados e estrutura necessária para entrar no mercado de forma correta. Sanitários, piso, depósito forrado, cômodos para processamento: tudo novinho em folha.
Para a líder comunitária e presidente da Uniquitiba, Eliane Frazão, o apoio do Floresta+ contemplou mais que apenas uma reforma, mas a ampliação de oportunidades para a comunidade. “Foi um marco de transformação. É toda uma questão da tradição da farinha que vai além da nossa culinária, tem a ver com a questão histórica do nosso território, da nossa identidade.Também tem a ver com a nossa segurança alimentar, porque nós também consumimos a farinha e a tapioca, além da comercialização”, ressaltou.
Eliane ainda enfatiza que as novas casas de farinha vão possibilitar uma melhoria na qualidade dos produtos que são fabricados – farinha e tapioca – porque as comunidades têm agora mais condições de um controle mais rigoroso. “Antes, nós não podíamos participar das vendas ao poder público. Agora, sim, podemos. Também estamos pensando em realizar cursos para aprimorar os conhecimentos e melhorar ainda mais a qualidade”, completou.
A coordenadora do ISPN no Maranhão, Ruthiane Pereira, explica que a previsão é que a produção de farinha de mandioca e tapioca cresça 80%. “É o fortalecimento das tradições quilombolas e da cadeia produtiva da mandioca, gerando emprego e renda, e que faz parte da parceria do ISPN com a Uniquitiba no âmbito do projeto ‘Renascimento Agroecológico nos Quilombos: Roças, Quintais e Agroindústrias Quilombolas do projeto Floresta+ Amazônia’”, destacou.
O Projeto Floresta+ Amazônia é uma iniciativa de cooperação internacional do Governo brasileiro, por meio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com o apoio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e financiado pelo Fundo Verde para o Clima (GCF).